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Medição Individualizada em Condomínios

ÁGUA: PAGUE O QUE USAR | MEDIÇÃO INDIVIDUALIZADA EM CONDOMÍNIOS

A medição individualizada em prédios beneficia os moradores e o planeta. Conforme a lei, os edifícios novos vêm prontos para receber esse sistema. Já os antigos podem precisar de intervenções pesadas e caras para implantá-lo. Explicamos tudo aqui

Sabe quanta água seu apartamento consome por mês? Se você mora num condomínio sem medição individual, será impossível responder essa pergunta. Isso porque há um único hidrômetro, e todas as unidades rateiam a conta. Ou seja, quem vive sozinho paga o mesmo que uma família de cinco pessoas, por exemplo. ´´Tornar a cobrança socialmente justa se mostra uma das principais justificativas para adotar o esquema“. Mas a redução do desperdício, especialmente na atual época de escassez, lidera a lista de prós.

Após implementação desta tecnologia, alguns prédios baixaram a fatura até pela metade pois ao saber o quanto despendem, os moradores começaram a poupar e eliminar vazamentos. Isso sem falar em outras duas grandes vantagens: reduzir o volume afluente de esgotos, trazendo melhorias ecológicas, e valorizar o imóvel em até 2%.

É viável ou não?

Situações em que a obra vale a pena

Edifícios novos

A maioria das construtoras já prevê um padrão de instalações de água fria. Dessa forma, a inclusão dos medidores é rápida.

Tubulação certa

A introdução do medidor só pode ser feita em canos soldáveis (PVC, cobre ou termofusão), excluindo-se assim, os de ferro.

Poucas Prumadas

Quanto menor o número de colunas hidráulicas, menos onerosa será a reforma. Em imóveis antigos, com muitas entradas de água, é preciso instalar diversos hidrômetros, o que inviabiliza a solução.

Tempo de obra

Nove meses (envolveu 400 apartamentos, divididos em cinco blocos).

Quanto custou?

Em 2008, cada condômino pagou R$ 2,1 mil (valor que já inclui a troca das quatro prumadas de ferro que existiam).

Consumo

hidrometros-apartamentosSe em fevereiro de 2008, época da obra, era de 7 349 m3, em abril deste ano chegou a 3 825 m3. A redução bateu os 48%, e a conta do condomínio despencou de R$ 40 mil para R$ 17 mil.
Os hidrômetros

Nos imóveis antigos, nem sempre dá para instalar esses medidores nos andares. Tais aparelhos podem ficar sob a laje que apoia a caixa-d`água ou garagem. A água passa pelo hidrômetro da concessionaria, vai ao reservatório inferior e é bombeada para o superior – só então se distribui passando pelos medidores de cada apartamento

O aporte se paga

O valor desembolsado na individualização volta logo, especialmente em edifícios novos
O valor investido retorna em menos de um ano. O proprietário que despende R$ 120,00 de conta no boleto do condomínio e consome até 10m3 por mês paga R$ 79,18 a mais do que deveria. Se considerarmos o custo de individualização de dez parcelas de R$ 75,00 por apartamento, comum em prédios já preparados, morador verá a fração de investimento compensada já no primeiro mês.

Quem contratar?

Diferentemente de muitas cidades, em São Paulo há a interferência da concessionária local, a Sabesp, no sistema de individualização, criando, assim, dois modelos de gestão das contas.

Autogestão

A empresa contratada cuida da medição, faz o rateio proporcional entre os apartamentos e encaminha o valor para a administradora a fim de inclui-lo nos boletos de condomínio. Segundo Samanta Souza, gerente de relacionamento com o cliente da Sabesp, enquanto o custo de individualização via autogestão de um prédio já preparado é de até R$ 450,00 por ponto, o da companhia sai por R$ 700,00 (ambos os preços se referem ao serviço feito uma única vez). ´´Com a Sabesp, há mais equipamentos, ações e produtos envolvidos“, justifica Felipe Duque Estrada, referindo-se a itens como válvulas de corte eletrônicas e alarme conta fraudes.

Sistema ProAcqua, da Sabesp

É quando a concessionária participa desde o início do processo. Por causa da demanda, a companhia criou o programa ProAcqua, que atende por meio de sete empresas certificadas. ´´Diferentemente da autogestão, o projeto tem a aprovação da Sabesp antes de partir para a instalação“, conta Samanta. Após o trabalho, a concessionária visita a obra para a checagem e, todo mês, seus funcionários aferem o hidrômetro de cada apartamento e imprimem a conta na hora. ´´Só nessa alternativa a inadimplência é sujeita a corte“, complementa. No entanto, João Martani, engenheiro da AJ Martani, nega. ´´Caso haja uma questão judicial, prevalece o entendimento do juiz. A companhia simplesmente deixa de prestar o serviço“, afirma.

Equipamentos

Confira os itens necessários
Todos devem seguir a norma NBR 8.009, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); ser certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e pela Agência Nacional de telecomunicações (Anatel); e se homologar junto a Sabesp (no caso de São Paulo).

Hidrômetro

Indica e totaliza, continuamente, o volume que o atravessa. Há o individual, para cada apartamento, e o principal, destinado ao condomínio inteiro.

Cabeça de Rádio

Emissor de leitura por radiofrequência uni ou bidirecional, encaixado no hidrômetro.

Software

Os programas e demais componentes dos sistemas de leitura eletrônica pertencem ás empresas que os instalam. Algumas tecnologias são comuns a várias marcas, permitindo que o condomínio troque de prestadora de serviço se desejar.

Concentrador

Armazena as informações transmitidas pelos medidores via radiofrequência, monitora e gerencia toda a rede 24h por dia. O modelo usado pelo ProAcqua e por algumas empresas possui toque na tela para a integração com os equipamentos da Sabesp a fim de imprimir as faturas individuais.

Como é a obra?

Nas construções antigas, não há como evitar o quebra-quebra. Mas ele fica pior quando o edifício requer a troca de tubulação.

aaa1Agendar uma data com todos os moradores para reformas é um desafio. Há dois jeitos de individualizar edifícios velhos, e em ambos se deve entrar em cada apartamento. No primeiro caso, abre-se um quadro na parede interna ao lado do registro da morada (um para cada prumada), onde ficará o medidor. No segundo, desativam-se as prumadas de dentro, e se faz outra – externa e única -, que descerá pelos vãos centrais da construção ou pela fachada. Cada apartamento terá uma entrada hidráulica própria. A intervenção leva de dois meses a um ano.

Regras para prédios novos

A maioria dos estados já obriga as construtoras a deixarem seus empreendimentos preparados.

aaa2Em São Paulo, o Decreto nº 14.018 foi pioneiro em 2005 ao instituir o Programa Municipal de Conservação e Uso Racional da Água em Edificações e tornar obrigatória aos construtores a previsão para instalar hidrômetros que permitam a medição individual. Já em Salvador, a Lei Municipal nº 7.780, com o mesmo intuito, chegou em 2009. No Rio de Janeiro, a prática foi sancionada em 22 de março de 201, no Dia Mundial da Água. As incorporadoras não costumam indicar empresas que façam o serviço, porém dão outra forma de suporte.

Outras alternativas

O que fazer quando não é economicamente viável realizar a obra de individualização? Abaixo, soluções que ajudam a reduzir o consumo de água.

Informes Mensais

Espalhar gráficos e informativos com os dados de consumo em acessos, elevadores e áreas comuns orienta os moradores sobre o gasto.

Mudança de hábito

Medidas simples, como orientar os proprietários a trocar a válvula de descarga comum por um sanitário com caixa acoplada, reduzem o desperdício. Outro exemplo: no Edifício Basileia, a piscina, subutilizada, acabou se tornando um reservatório para armazenar 55 mil litros de chuva, reciclada na rega da grama e na lavagem de pisos. Para evitar o mosquito da dengue, o tanque fica bem vedado e sofre tratamento semanal.

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